saúde e bem estar Pet 21/11/2025

10 Erros Comuns que Podem Prejudicar a Saúde do Seu Pet (e como evitar)

10 Erros Comuns que Podem Prejudicar a Saúde do Seu Pet (e como evitar)

Cuidar de um pet é uma mistura de amor, rotina e atenção aos detalhes. Só que, no dia a dia, é super comum a gente repetir hábitos que parecem inofensivos — mas que, com o tempo, podem trazer problemas de saúde sérios.

A boa notícia? A maioria desses erros é simples de corrigir quando a gente entende o impacto deles.

A seguir, veja os erros mais comuns que encontramos na clínica e como você pode evitá-los para garantir mais qualidade de vida ao seu cão ou gato.

1. Excesso de petiscos (mesmo “saudáveis”)
Por que isso faz mal?

Petiscos são ótimos para carinho, recompensa e treino. Mas o excesso deles é uma das principais causas de:

-sobrepeso e obesidade

-diabetes

-problemas articulares

-doenças cardíacas

-inflamações intestinais e pancreatite, especialmente em cães

Muita gente não percebe que um pouquinho “extra” todo dia vira muito no mês. E o pet não regula o quanto come — ele só aproveita.

Sinais de que está passando do limite:

-pet ganhando peso rápido

-barriga mais “redonda”

-dificuldade para correr/brincar

-cansaço fácil

-o tutor precisa afrouxar coleira/peitoral

Como evitar:

-petiscos devem ser no máximo 10% das calorias do dia

-use petiscos pequenos (quebre ao meio se precisar)

-troque parte do petisco por carinho, brincadeira ou elogio

se quiser oferecer comida natural como petisco, use opções seguras:
cenoura cozida, maçã sem semente, pepino, frango cozido sem tempero (nunca em excesso)

✅ Dica prática: se o pet pedir comida, ofereça uma parte da ração do dia em vez de petisco extra.

2. Automedicação
Por que isso faz mal?

Esse é um dos erros mais perigosos.

Medicamentos para humanos ou remédios antigos guardados em casa podem causar:

-intoxicação grave

-falência renal ou hepática

-úlceras e sangramentos internos

-piora do problema original

E atenção: gatos são ainda mais sensíveis, porque o metabolismo deles não consegue eliminar várias substâncias.

Alguns exemplos de remédios comuns que são tóxicos:

-anti-inflamatórios humanos (ex: ibuprofeno, diclofenaco, nimesulida)

-paracetamol (muito perigoso para gatos)

-pomadas e sprays com corticoide sem orientação

-antibióticos “sobrando” de outro tratamento

Quando isso acontece mais?

-quando o pet manca

-quando o pet vomita ou tem diarreia

-quando parece estar com dor

-quando tem coceira

Como evitar:

-nunca medique sem avaliação veterinária

-mesmo remédios veterinários só devem ser usados com dose correta

-guarde receitas antigas apenas como histórico, não como solução futura

-se houver dor ou desconforto, o melhor é avaliar logo, porque tratamento precoce evita agravamento

✅ Dica prática: se tiver dúvida, mande mensagem ou traga o pet para avaliação antes de dar qualquer coisa.

3. Falta de enriquecimento ambiental
Por que isso faz mal?

Muita gente pensa que enriquecimento ambiental é “luxo”. Mas na verdade é necessidade básica, principalmente para pets que vivem em apartamento ou passam muito tempo sozinhos.

Sem estímulo, o pet pode desenvolver:

-ansiedade

-estresse crônico

-comportamento destrutivo

-latidos excessivos

-agressividade

-depressão

-obesidade (porque come por tédio)

-Gatos, principalmente, sofrem bastante quando o ambiente é “parado”.

Sinais de que o pet está entediado:

-destrói objetos ou móveis

-se lambe compulsivamente

-late/miar sem motivo

-dorme o tempo todo

-pede comida várias vezes sem estar com fome

-corre sem parar pela casa como “descarga de energia”

Como evitar

Para cães:

-passeios diários (nem que sejam curtos)

-brincadeiras de faro (esconder petiscos ou ração)

-brinquedos interativos

-treino básico 5–10 minutos por dia

Para gatos:

-arranhadores

-prateleiras/locais altos

-brinquedos que imitam caça

-caixas de papelão e túneis

-alimentação em brinquedos tipo “comedor lento”

✅ Dica prática: 15 minutos de estímulo por dia fazem um pet muito mais equilibrado.

4. Banho em excesso
Por que isso faz mal?

Higiene é importante, mas excesso de banho pode:

-retirar a proteção natural da pele

-causar ressecamento da pele

-aumentar coceiras e alergias

-favorecer infecções por fungos e bactérias

-piorar dermatites

Cada raça e espécie tem uma necessidade diferente.
Gatos, por exemplo, geralmente não precisam de banho com frequência, porque se limpam sozinhos.

Sinais de pele sensibilizada:

-coceira constante

-vermelhidão

-descamação

-mau cheiro persistente

-queda de pelos

-feridinhas

Como evitar

-siga a frequência ideal orientada pelo vet/banho e tosa

-use shampoo veterinário adequado (humano não serve)

-evite banho só por “cheiro”

-se o pet tem alergia, o banho precisa ser parte de um protocolo dermatológico, não algo aleatório

✅ Dica prática: às vezes o cheiro não é “sujeira”, e sim sinal de problema de pele ou ouvidos.

5. Falta de consultas preventivas
Por que isso faz mal?

Muitos tutores só levam o pet quando ele fica “mal visivelmente”.
Só que pets escondem dor e doença por instinto. Quando mostram sinais, às vezes já está avançado.

Consultas preventivas evitam:

-doenças silenciosas (renais, cardíacas, hormonais)

-tumores que poderiam ser detectados cedo

-piora de dentes e gengivas

-problemas articulares

-obesidade e suas complicações

Frequência ideal (em média)

-adultos saudáveis: 1x por ano

-idosos (a partir de ~7 anos): a cada 6 meses

-pets com doenças crônicas: conforme protocolo do vet

O que normalmente se avalia na preventiva?

-exame clínico completo

-peso e escore corporal

-vacinas e vermífugos

-exames de sangue e urina (especialmente em idosos)

-avaliação dentária e pele

-orientações de alimentação e comportamento

✅ Dica prática: prevenção sai muito mais barato que tratar um problema avançado — e o pet sofre bem menos.

Fechando a ideia

Se você corrigir esses 5 pontos, você já melhora MUITO a saúde e o bem-estar do seu pet no longo prazo.

Eles parecem “pequenos hábitos”, mas são exatamente esses detalhes que fazem a diferença entre um pet só vivendo… e um pet vivendo bem.

Ricardo Akinaga
CRMV-SP 32.204
Formado pela FMVZ-USP
Especialista em Cirurgia Geral
Especialista em Ortopedia